sexta-feira, 28 de junho de 2013

O LUXO DOS PRÉDIOS PÚBLICOS QUE VOCÊ PAGA

A tendência da arquitetura imponente dos prédios públicos brasileiros está se transformando também em todo Brasil. No lugar das pequenas e tradicionais janelas, no estilo Açoriano ou Art Déco, as novas construções surgem com imensas fachadas de vidros espelhados, refletindo pelas ruas e avenidas da Capital goiana a magnificência do poder. A inspiração arquitetônica que encantou o País, veio da Europa, aliando a beleza do vidro à tecnologia do material, que permite até redução de gastos significativos com energia elétrica se for usado corretamente. Dessa forma, a reportagem do Diário da Manhã percorreu ruas e avenidas da cidade e avistou a ostentação moderna dos prédios públicos, competindo nos dias atuais com luxuosas estruturas comerciais.

Especialistas
 Segundo a engenheira Lucília Ortega, normalmente são os prédios comerciais que ganham as fachadas espelhadas, que profissionais da área chamam de pele de vidro. Isso se justifica pelo fato de que os empresários querem que o seu negócio esteja associado a um local de imponência.  
Apesar de ter tido por anos como um material frágil, engenheiros garantem que não há mais com o que se preocupar com a qualidade do vidro oferecido no Brasil. Tanto que, em boa parte destes prédios que recebem a tecnologia glazing – fachada de vidro –, não há sequer um parapeito de concreto entre o piso e o teto. Tudo é feito em vidro.
De acordo com o arquiteto e urbanista Roberto Anderson Magalhães, mais do que simplesmente ostentar e chamar atenção de quem passa pelas ruas, o vidro ganhou nos últimos anos status de amigo do meio ambiente. “Além de ser um material que pode ser reciclado totalmente sem perder qualidade, os chamados vidros tecnológicos e de segurança permitem que eles sejam utilizados em grandes extensões”, explica.
O vidro sempre foi considerado material de luxo, voltado para garantir status de quem usufruía de seus benefícios. Alguns anos depois da 2ª Guerra Mundial as vantagens do produto se restringiam aos benefícios obtidos pela beleza do material. Assim, o vidro também tinha certo poder místico, por ser um elemento leve e natural.

O arquiteto Rodolfo Mendes diz que por ser refletivo, o vidro ganha uma aparência de espelho para quem visualiza o prédio do lado de fora, enquanto isso, quem está do lado de dentro sente diferença quando o assunto é calor e acendimento das lâmpadas. “Esse tipo de vidro retém 60% da luminosidade e reduz em 70% a entrada de calor no ambiente”, apontou Mendes, garantindo que essas características permitem economia de energia elétrica. 
Apesar de o vidro ser um material totalmente reciclável a engenheira Ortega, alerta no uso do vidro. “Se a qualidade do produto não for ideal, essa economia de energia que o vidro proporciona pode ser colocada em cheque. Um vidro comum colocado em uma fachada pode dobrar o uso de ar-condicionado em uma sala”, afirma.
Indignação
O jornalista e professor universitário em Cuibá (MT), Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, em seu blog Balaio de Crítico, ele diz que se fotografássemos os prédios públicos brasileiros e colocássemos as fotos em um site, sem indicação da origem do País, o internauta iria pensar que os edifícios fazem parte do acervo público de um local rico e sem problemas sociais. “É uma vergonha o que gestores públicos no Brasil gastam com construções públicas luxuosas e ornamentos desnecessários”, indigna.

Para o professor a Constituição Federal lista cinco princípios da administração pública, dos quais ao menos dois não são condizentes com as obras grandiloquentes vista no País. “O administrador deve seguir os princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Não me parece eficiente que se gaste tanto com ostentações em prédios públicos em um País tão carente de realizações públicas. E não me parece que seja moral que, em um País com tamanha carga tributária, a arrecadação seja feita para ostentações e desbundes de gestores públicos”, afirma.

Ainda de acordo com o professor Augusto, a falta de bom senso do governo nas edificações públicas é “imoral, vergonhosa e só reproduz a velha sanha de se tentar esconder uma administração pública, por vezes ineficiente, dentro de paredes que intimidam pelos gastos ali acumulados”. Ele termina dizendo que promover o luxo irreal com o dinheiro arrecadado da sociedade nada mais é do que demonstrar uma mentalidade pública de lixo.

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